A influência dos tipos de fibras musculares na preparação física

A influência dos tipos de fibras musculares na preparação física

Como os tipos de fibras musculares funcionam e podem influenciar no tipo de treinamento?

Esse texto é para esclarecer algumas dúvidas em relação a performance no esporte e atividade, baseado nos tipos de fibras musculares e no treinamento específico para se obter os resultados esperados.

Como falamos no texto anterior (“O que você precisa saber sobre os músculos”), as fibras musculares são classificadas em tipo 1 e tipo 2, onde tipo 1 possuem as características de resistência\ contração lenta e do tipo 2, força\ contração rápida. Pensando nisso, podemos assim classificar os atletas ou praticantes de acordo com seu biotipo genético, sendo que uns possuem a capacidade de realizar atividades longas, de maior distância (resistência) e outros para atividades que exigem mais força (velocidade).

Para atletas de maior performance, é possível converter o tipo de fibra muscular, melhorando seus resultados, porém isso só se aplica em cima de um treinamento específico.

Contração do tipo 1 (lenta) x contração do tipo 2 (rápida)

Para se realizar atividades de baixa intensidade como pegar um copo, o cérebro dispara informação para as unidades motoras que tem um número menor de fibras musculares, que são de contração lenta, que possuem o limiar baixo. Quando uma tarefa necessita de força para realiza la, o número de unidades motoras aumenta, sendo caraterísticas de contração rápida e seu limiar é alto, portanto, necessita de um grande estímulo.

Para se diferenciar uma fibra da outra, a fibra de contração rápida é maior podendo assim produzir mais força. Durante um movimento de muita força, o corpo inicia contraindo as unidades motoras de limiar mais baixo, para em seguida recrutar as fibras de limiar alto, aplicando assim, a força necessária para realizar o movimento. Ao levantar algo muito pesado, utilizando muita força, o corpo contrai todas as fibras musculares acionando todas as unidades motoras.

O resultado é baseado no tipo de treino. Para adquirir melhora da performance na velocidade e explosão (corrida rápida \ arranque), é enfatizar esse tipo de treino, ensinando o corpo através de estímulos para o sistema nervoso e adaptando o para utilizar mais as fibras do tipo 2.

Lembrando que essas fibras não necessitam de um grande volume de treino e muito menos de longa duração de trabalho, pois fadigam rápido.

Já as fibras musculares de resistência, atividades de longa distância como uma maratona\ultramaratona, seu principal fator limitante é o sistema nervoso, que permite a velocidade de contração desse músculo, o tamanho dos músculos (menores) e o peso corporal do indivíduo.

Sendo assim os principais fatores são:

  • Neurais (para se recrutar o músculo);
  • Biotipo corporal (Peso, comprimento dos músculos, tendões e membros);
  • Tipos de fibras musculares.

Possuímos outro fator de extrema importância que é metabólico, ou seja, um conjunto de reações químicas que ocorrem no nosso organismo com objetivo de produzir energia para o funcionamento das células, nesse caso musculares. Esse limite é definido pela produção de lactato no nosso corpo. Isso ocorre quando se tem a quebra da glicose que gera energia para a contração do músculo, e seu subproduto é o lactato. Mas quando se excede o limite, o metabolismo não consegue converter mais o lactato em glicose e energia, e seu acúmulo gera acidez nos músculos, resultando em dores e desligando assim o corpo.

No entanto em atletas de ultramaratona e velocistas, esses limiares são bem diferentes, ou até nem recebem esses sinais.

Para se tornar um atleta de alto rendimento nem sempre é possível para todos, depende muito de fator genético, pois mesmo com muito treinamento, a capacidade cardiovascular melhora até certo ponto, sendo um limite individual, portanto, a capacidade aeróbia não melhora, chega ao seu limite. Já a capacidade muscular pode melhorar, pois o sistema de produção de lactato, não é limitado pela capacidade cardiovascular e sim pela qualidade dos músculos, onde entra a questão do tipo de treinamento para as fibras musculares.

Com tudo isso, para se obter resultado não tenha pressa, é importante treinar corretamente que o corpo vai se adaptando naturalmente aos estímulos, a melhora da performance vem com o tempo!

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Dra. Nadja Hollerbach Cardoso Ferreira – Crefito-3/121005-F
Fisioterapeuta e instrutora de Pilates na WP Pilates & Saúde

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