Osteoporose e a qualidade de vida dos idosos

Osteoporose e a qualidade de vida dos idosos

A Osteoporose é uma doença de grande impacto devido a sua alta prevalência e expressiva taxa de mortalidade. Na maioria dos casos, a osteoporose está relacionada ao envelhecimento e se manifesta em ambos os sexos, influenciando na qualidade de vida dos idosos. 

É mais comum em mulheres após a menopausa, devido à queda na produção do hormônio estrogênio, que agrava o processo de fragilização dos ossos. No entanto, é válido lembrar que a doença também se manifesta nos homens, principalmente acima dos 65 anos.

O que é a osteoporose?

A osteoporose é uma doença sistêmica caracterizada pela diminuição progressiva da densidade óssea, o que torna os ossos extremamente frágeis, predispondo a um aumento do risco de fraturas.

O tecido ósseo é um tecido conjuntivo especializado, responsável pela formação dos nossos ossos e apresenta funções importantes, tais como:

– Sustentação das partes moles do corpo;

– Reserva de cálcio e fósforo;

– Proteção de órgãos vitais;

– Proteção da medula óssea;

– Associado aos músculos, garantem os movimentos do corpo;

A formação e renovação dos nossos ossos dependem da matriz óssea e das células que compõem o tecido ósseo (osteoblastos, osteoclastos e osteócitos).

Os Osteoblastos são as células responsáveis pela formação da matriz óssea, formação de ossos novos. São responsáveis também pela produção de duas proteínas (osteonectina e osteocalcina) que por sua vez, são responsáveis por facilitar a deposição do cálcio e por estimular a atividade do osteoblasto, controlando assim, a mineralização do osso.

Os osteócitos são osteoblastos que ficam aprisionados em lacunas formadas conforme essas células produzem ossos novos. Cada lacuna apresenta apenas um osteócito. Eles não produzem matriz óssea, mas são fundamentais para a manutenção da matriz, pois quando ocorre sua morte ocorre a reabsorção da matriz.

Já os osteoclastos são células responsáveis pela reabsorção óssea, por meio da desmineralização e degradação da matriz óssea. 

De forma bem simplificada, o osteoblasto produz ossos novos, enquanto o osteoclasto reabsorve ossos lesados ou envelhecidos. Desta forma, os ossos se mantêm em contínua remodelação e renovação.

Com o processo de envelhecimento, a reabsorção das células envelhecidas aumenta e a de formação de novas células ósseas diminui. O resultado é que os ossos se tornam mais frágeis e perdem resistência.

A diminuição de massa óssea de forma leve caracteriza a osteopenia, já a diminuição de forma intensa caracteriza a osteoporose e pode ser responsável por fraturas espontâneas ou causadas por pequenos impactos.

Fraturas e complicações

Nos idosos a redução da densidade óssea é natural, porém a osteoporose ocorre quando os níveis de densidade estão muito abaixo do padrão. 

À medida que a doença vai progredindo com o avançar da idade, o risco de fraturas, principalmente do quadril, das vértebras, colo do fêmur, costelas e punho aumenta significativamente.

É uma doença silenciosa, por isso o primeiro sinal costuma aparecer quando ocorre uma fratura espontânea de um osso devido a um trauma ou esforço simples, caracterizando uma fase mais avançada da doença.

Segundo o Ministério da Saúde (MS), as fraturas de corpos vertebrais e de quadril são as complicações mais graves.

A mortalidade das pessoas com fratura de quadril é de 10 a 20% em seis meses. Do restante, 50% precisarão de algum tipo de auxílio para caminhar e 25% necessitarão de assistência domiciliar ou internação em casas geriátricas.

Dessa forma, a osteoporose pode impactar diretamente na qualidade de vida e na mortalidade dos idosos.

Fatores de risco para osteoporose e fraturas

– Fraturas anteriores;

– Predisposição genética;

– Sexo feminino;

– Baixa massa óssea;

– Idade avançada em ambos os sexos;

– História familiar de osteoporose ou fratura do colo do fêmur;

– Baixa ingestão de cálcio, alta ingestão de sódio;

– Pouca exposição ao sol, imobilização prolongada, quedas frequentes;

– Sedentarismo, tabagismo e alcoolismo;

– entre outros;

Tratamento e prevenção

O tratamento da osteoporose deve ser analisado de forma individual, porém, geralmente consistem no uso de medicamentos, alimentação adequada, exposição solar e atividade física.

Contudo, a melhor forma de evitar que a doença ocorra, é a prevenção.

A prevenção deve começar na infância com uma dieta rica em cálcio, atividade física regular e exposição solar (vitamina D), para garantir o potencial máximo de aquisição de massa óssea. Desse modo, com a chegada da menopausa, o indivíduo terá uma reserva óssea adequada, mantendo os ossos mais resistentes e fortes.

A atividade física, principalmente, tem efeito sobre a massa muscular, força e resistência, que se reflete na melhora do equilíbrio e ajuda a prevenir as quedas ao longo da vida, evitando consequentemente as fraturas.

Se todas essas medidas forem tomadas, o risco de desenvolver a Osteoporose pode ser reduzido, evitando assim, diversas complicações.

O exercício físico na terceira idade pode evitar que a osteoporose ocorra, assim como, retardar o avanço da doença se ela já estiver instalada, proporcionando ao idoso independência e uma melhor qualidade de vida.

Dra. Letícia Dias Pinto de Oliveira – Crefito 3/259894-F

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