
Hoje selecionamos o tema de “lesões no tornozelo” por ser um problema muito frequente que tratamos em nossa clínica de fisioterapia e Pilates (unidade de Pinheiros e Itaim Bibi) e ainda acomete públicos diversos como atletas, gestantes, idosos, adultos, entre outros.
Então aproveite o conteúdo que segue abaixo dividido por tópicos para facilitar o entendimento.
Articulação do Tornozelo: conceito anatômico
Para entendermos melhor como ocorrem as lesões na articulação do tornozelo, é de suma importância conhecer em seu funcionamento normal.
O tornozelo é a conexão entre a parte inferior da perna com o pé, ele possui duas articulações:
- Articulação tibio társica (parte superior);
- Articulação talotarsal (parte inferior).
Nessa articulação ocorrem os movimentos como dorsiflexão (ponta do pé para cima), flexão plantar (ponta do pé para baixo) e poucos graus de movimento pronação (ponta do pé vira para dentro) e supinação (ponta do pé vira para fora).
Articulação Tibio társica: É uma articulação que age como dobradiça, e sua função é permitir a flexão plantar e a dorsiflexão. É composto por 3 ossos: Talo, tíbia e a fíbula.
A fíbula e a tíbia permitem que as articulações deslizem uma sobre a outra, assim sua superfície cartilaginosa se move livremente.
Articulação talotarsal: É composta pelo calcâneo (osso do calcanhar), talo (osso do tornozelo) e o osso navicular.
Funções: Essa articulação permite quatro movimentos: pronação e supinação do pé, dorsiflexão e flexão plantar.
Ligamentos: Tem como função de limitar os movimentos excessivos para evitar lesões como luxações e entorses, proporcionando uma ligeira flexibilidade lateral, auxiliando o corpo a andar sobre superfícies irregulares, mantendo seu equilíbrio. Possuimos os ligamentos talofibulares anterior e posterior (frente e atrás), deltóide (medial – parte de dentro) e o fibular (lateral). Esse ligamento possui um papel importante, pois restringe a supinação excessiva do pé (quando vira para fora), um trauma nessa região pode resultar em uma distensão até uma ruptura completa.

Lesões de tornozelo
A entorse de tornozelo é uma das lesões que mais ocorrem na população. Através de um movimento brusco, pode estar associado a um estiramento ou até a uma ruptura de ligamentos que sustentam essa articulação. Ocorre com maior frequência nos ligamentos colaterais laterais e em maior frequência em atletas de futebol, vôlei e basquete. Essa entorse pode evoluir se não tratada adequadamente com complicações, gerando limitações funcionais no dia a dia.
A estabilidade (sustentação) do tornozelo ocorre por um mecanismo contensor de 3 ligamentos: talo-fibulares anterior, posterior e talo-calcâneo. O mecanismo mais comum de lesão é a inversão do pé associado a flexão plantar (quando o pé vira para fora), isso ocorre normalmente por causa de terrenos irregulares ou até descendo degrau. A lesão se inicia através do estiramento ao rompimento do ligamento talo-fibular anterior podendo progredir se o trauma for maior, para o calcâneo-fibular (posterior), que é bem rara.
Graus de lesões do tornozelo

Para classificar o tipo de entorse, é necessário realizar um exame clínico da área afetada. É dividido em 3 tipos:
1- Estiramento ligamentar;
2-Lesão ligamentar parcial;
3-Lesão ligamentar total.
Sua característica clínica é de dor, com edema localizado na face anterior e lateral do tornozelo, pode gerar uma equimose (inchaço – edema) principalmente após 48 hs, dificultando a marcha do indivíduo.
Exames Complementares
Se há suspeita de lesão óssea pede-se o RX, mas normalmente para evidência de rompimento ligamentar a um estiramento, pede-se uma ressonância magnética (RM).

Tratamento de entorse de tornozelo:
O objetivo principal, é o retorno para as atividades diárias (trabalho/ esporte), com diminuição da dor, edema e a ausência total de instabilidade da articulação.
Após o trauma é de suma importância seguir o protocolo de contenção do edema, estabilização da articulação atravês de bandagem, elevação do mesmo (controle do edema) durante os 3 primeiros dias. Pode-se associar através da prescrição médica o uso de antiinflamatório para diminuir esse edema e por consequência da dor.
De acordo com o grau da lesão a manutenção da imobilização melhora os sintomas que variam de 1 a 2 semanas (lesão leve), já em lesões mais graves utiliza-se imobilizadores semi-rígidos (robofoot).
O tratamento cirúrgico só ocorre quando há rompimento total ligamentar e uma grande instabilidade associada, cada caso é observado de forma individualizada, a preferência é dada pelo tratamento conservador (não cirúgico) como a fisioterapia.
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Dra. Nadja Hollerbach Cardoso Ferreira – Crefito-3/121005-F
Fisioterapeuta e instrutora de Pilates na WP Pilates & Saúde

